ISLA NEGRA | CHILE | 2015
33°26′32″S 71°41′07″O


ALTITUDE: 7 mts.
TEMPERATURA: 18°C
UMIDADE DO AR: 34%

 
Quero apenas cinco coisas. Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser, sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando.
— Pablo Neruda

Isla Negra é uma região costeira localizada em El Quisco, no Chile, e ficou conhecida principalmente porque o amigo Pablo Neruda, poeta e diplomata chileno, a batizou e a escolheu para morar. Sabendo disso, a gente resolveu dar uma volta por lá e aproveitou para fazer uma visita na casa dele; e teve até almoço.

Chegamos sem avisar, mas a recepção não poderia ter sido melhor. Logo fomos convidados a entrar e pisar nas pequenas pedras colocadas estrategicamente no hall de entrada. Segundo Neruda, os amigos que o visitam merecem a massagem que elas fazem nos pés.

A casa fica praticamente isolada em meio a pedras e águas escuras do Oceano Pacífico e quase todos os cômodos possuem vista para o mar. Cada detalhe nos foi apresentado com extremo cuidado e carinho, e enquanto as histórias que acompanham cada detalhe da decoração eram contadas de maneira poética, eu era obrigado a me contentar em apenas ouvir e observar, sem poder fotografar, pois era o que o amigo me havia solicitado sem dar explicações. Obviamente, eu respeitei e não morri por isso.

A vista valia a pena. O vento era constante, a água estava sempre em movimento e sua cor era tão escura que parecia esconder um universo em suas profundezas; e de fato deve esconder. Aves se alimentavam em meio as ondas e a gente observava, conversava e saboreava frutos do mar frescos e inesquecíveis.

Aos poucos, de um jeito extremamente particular, Neruda nos apresentava sua vida de maneira simples e inspiradora. Do pedaço de madeira que o mar lhe trouxe como presente, a lembranças de viagens que fez pelo mundo e copos coloridos que, por serem assim, davam um toque mais saboroso a qualquer tipo de bebida. Era assim que ele descrevia suas coisas pessoais.

Tudo ali era realmente encantador e ganhava um toque mágico com a vista do mar que estava sempre a nos espiar e despentear nossos cabelos; nossas vidas.